Racionais? Nós?

No último de três programas radiofónicos da BBC (ver neste link toda a série), apresento-vos aqui mais meia hora, desta vez sobre a razoabilidade de uma hipótese comum na ciência económica: até que ponto é que faz sentido assumir que os agentes económicos são racionais?

Até que ponto é que as decisões económicas que tomamos (como o que comprar, quantas horas trabalhar, quanto poupar, como investir, se devemos ou não ir de férias ou comprar um carro novo, se devemos emigrar e até quantos filhos devemos ter) são exclusivamente o resultado de uma optimização do nosso bem-estar sujeito às restrições orçamentais e temporais que todos enfrentamos? Será que as nossas decisões são assim tão independentes do que os outros fazem, ou será que o que fazemos pode ser influenciado por coisas como inveja e medo? Será que somos inconsistentes nas nossas escolhas ao longo do tempo? Será que somos mais humanos que racionais? Até que ponto é que o aparecimento de bolhas especulativas não é mais do que a prova que, afinal, não somos tão racionais quanto os economistas pensam?

Estas e outras questões são analisadas neste interessante podcast onde se fala ainda de antropologia, formigas, Keynes, a racionalidade do vício, e a ida a um pub inglês. A não perder, decididamente. 🙂

Como Joseph Stiglitz refere na parte final do programa, a ciência económica tem muito em que pensar nos próximos tempos, em particular qual dos seguintes é uma melhor caracterização do mundo em que vivemos: a) os agentes económicos são racionais, mas enfrentam assimetrias de informação e o racionamento de crédito, b) é preciso incorporar conhecimentos da psicologia e da sociologia na economia (uma corrente conhecida como ‘economia comportamental’), ou c) afinal, as próprias preferências dos agentes económicos que os economistas assumem como um dado podem ser influenciadas pelas decisões de outros agentes económicos, sendo que, em última análise, é a sociedade como um todo, i.e. em toda a sua complexidade, que as determina.

Este é um tempo interessante para a ciência económica, para os economistas e ainda para os/as que ambicionam ser um/a um dia destes.

PS. Para quem me pediu sugestões de livros interessantes sobre economia que dariam excelentes prendas para este Natal, sugiro este de Diane Coyle: The Soulful Science: What Economists Really Do and Why It Matters.

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Sobre Pedro G. Rodrigues

Professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa. Email: pgr.economist@gmail.com
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