O fruto do esforço colectivo

5 de Outubro de 2012. Neste dia que se comemora a implantação da República, vale a pena procurarmos algo de positivo com o qual devemos ficar satisfeitos. Algo que contrarie a tendência que o País tem tido ultimamente de se colocar de cabeça para baixo.

É sabido que um dos grandes objectivos do Executivo é regressar aos mercados financeiros o mais depressa possível e, assim, livrar-mo-nos da Troika.

Como estão as taxas de juro de uma obrigação do Tesouro a 10 anos ao qual Portugal se refinancia no mercado secundário de dívida? Como se compara com a respectiva taxa de juro que a Alemanha paga? Que comportamento tem tido desde o início do ano, ao ponto de vários observadores internacionais dizerem que o programa de ajustamento em Portugal está a funcionar?

É para dois gráficos que proponho que olhemos para obter as respostas a estas questões.

Reportando aos dados recolhidos hoje, para Portugal a taxa de juro de uma obrigação a 10 anos está em 8,22%, o que compara com 18,47% para a Grécia – mais de 10 pontos percentuais de diferença.

Ainda mais surpreendente é que desde o início de 2012, Portugal é o país que registou a maior queda da taxa de juro implícita numa obrigação a 10 anos: 483 pontos base, i.e. 4,83 pontos percentuais!

O ajustamento tem sido e está a ser doloroso, sem qualquer dúvida. Ainda é incerto se com esta actual política orçamental de natureza procíclica havemos ou não de atingir os objectivos traçados para o saldo orçamental e para a dívida pública. É assim porque o aperto orçamental induz uma contracção da actividade económica, que depois exige novo aperto porque as bases fiscais também se contraíram, o desemprego aumentou e as receitas ficaram aquém do esperado e as despesas sociais excederam o previsto inicialmente.

Mas que há resultados tangíveis para mostrar em pelo menos duas frentes, há. Para além da forte redução do prémio de risco implícito nas taxas de juro das obrigações a 10 anos que foi o foco deste post, o reequilíbrio das contas externas foi mais rápido que o antecipado, tanto mais rápido que a balança comercial se encontra praticamente equilibrada, um feito histórico.

Nem tudo são rosas, nem tudo são espinhos. 🙂

Sobre Pedro G. Rodrigues

Investigador integrado no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) e Professor Auxiliar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa. Doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa. Email: pedro.g.rodrigues@campus.ul.pt
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Uma resposta a O fruto do esforço colectivo

  1. Carlos Fernandes diz:

    boas
    “o reequilíbrio das contas externas foi mais rápido” sim mas essa é a função do FMI ” O cobrador de fraque” dos investidores internacionais, Mas onde está o trabalho do BCE e U.E. de diminuição do desemprego para um maior aumento das receitas e por consequência de um menor défice Orçamental.

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