Summers comenta livro sobre austeridade

Austerity

Austerity: The History of a Dangerous Idea, por Mark BLYTH

Lawrence Summers, professor de economia na Universidade de Harvard e antigo secretário de Estado do Tesouro norte-americano (um cargo equivalente ao de um ministro das finanças) comentou no Financial Times do dia 12 Abril de 2013 (ver aqui) o livro Austerity: The History of a Dangerous Idea, da autoria de Mark Blyth.

É um comentário que vale a pena ser lido por inteiro, mas não resisto citar duas passagens: “Contrary to widespread belief, the historical record suggests it is more plausible to blame the rise of Hitler on the depression under way as he rose to power than on the previous hyperinflation.” e ainda “Blyth may well be right in linking the preference for austerity in many quarters to a desire to shrink the state and to protect comfortable lifestyles in the financial sector.”, sugerindo, primeiro, que a austeridade (quando aplicada no pior momento) pode vir a ter custos sociais hediondos para todo o mundo e, segundo, que a austeridade pode estar a ser usada como uma razão para levar a cabo uma agenda ideológica que visa simplesmente reduzir o peso do Estado. Claro que, ideologias à parte, o valor presente (ou actual) da despesa pública presente e futura está sempre restrita pelo valor presente da receita pública que um Estado arrecada. Assim, emitir dívida pública não resolve qualquer problema, apenas adia para mais tarde a decisão (sempre difícil) ou de reduzir despesa ou de aumentar impostos. Mesmo assim, o que torna esta relação económica e não meramente contabilística é que a rendibilidade de muitas das despesas públicas e de quase todas as receitas públicas – presentes e futuras – dependem crucialmente do desempenho da economia em termos de crescimento económico. Mas esse facto não nos deve fazer cair no optimismo irrealista que mais cedo ou mais tarde havemos de recuperar a trajectória dos gloriosos anos da década de 1960. Se nada fizermos … simplesmente não vai acontecer.

Há uns meses António José Seguro falava na necessidade de uma política de “austeridade inteligente”. Julgo que se referia a uma política de responsabilidade orçamental, num quadro favorável ao crescimento da economia portuguesa. E que política é essa? Impõe uma política orçamental restritiva quando a economia tem condições de a suportar, … ou então cria as condições para neutralizar o efeito negativo sobre a economia que resulta de uma política contraccionista. Como? Eu digo-lhe daqui por uns dias. 🙂

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Sobre Pedro G. Rodrigues

Professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa. Email: pgr.economist@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Crescimento económico, Finanças públicas. ligação permanente.

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