O caso Perivaldo não é único

Perivaldo

Perivaldo, hoje com 60 anos, foi internacional pelo Brasil e jogou futebol em clubes como o Botafogo, o Palmeiras e o São Paulo. Até há pouco tempo era um sem-abrigo na cidade de Lisboa mas vai voltar para o Brasil, segundo esta notícia do Diário de Notícias.

E que lição económica podemos retirar deste caso que, pelo que sei, não é único? Os superstars, como são conhecidos em economia, têm rendimentos muito elevados durante um curto espaço de tempo e, se não houver uma boa gestão financeira dos seus recursos, arriscam a possibilidade de viver na penúria durante vários anos. Claro que é para isso que existe um sistema público de pensões, mas a verdade é que o alisamento do consumo ao longo da vida não é suficiente – em bom português, com este sistema o agente económico passa de cavalo para burro na maior parte dos casos. Quando existe plafonamento (e aí, se se pretende limitar a pensão que é paga, deve-se também limitar a contribuição enquanto activo), então ainda é pior.

Qual a solução, então? Talvez uma anuidade ou uma renda mensal, que funciona como um seguro de vida, mas ao contrário. Em vez de pagar um prémio anual enquanto se está vivo para depois alguém receber um montante único aquando do óbito, a renda mensal permite transformar um montante inicial num pagamento regular que existe enquanto o beneficiário for vivo.

E como funcionaria no caso de um futebolista (ou outro desportista)? Em vez de receber 15 000 EUR por mês, poderia receber 10 000 EUR e os 5000 EUR em falta seriam um prémio pago a um fundo de pensões (ou outra instituição financeira similar) que, depois de se reformar, garantiria por exemplo uma renda mensal de 2000 ou 3000 EUR por mês. Seria um complemento interessante e que ajudaria a minimizar a possibilidade de uma vida de excessos (muitas vezes com drogas) em que os “amigos” apenas orbitam o superstar enquanto há dinheiro para queimar.

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Sobre Pedro G. Rodrigues

Professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa. Email: pgr.economist@gmail.com
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