Testar e isolar

Imaginem uma caixa de maçãs onde algumas estão a ficar podres. O que faria? Opção 1: Arranjar uma caixa maior para o mesmo número de maçãs sem ter a preocupação de saber onde estão as podres (é o que estamos a fazer agora em Portugal com o COVID-19 em que se promove o isolamento social voluntário), ou Opção 2: Ver as maçãs que estão a ficar podres e separá-las para não contaminar as outras.

Já se viu que quanto mais tempo insistirmos com a Opção 1, vamos ter que arranjar caixas cada vez maiores – querendo eu com isso dizer que vamos ter de prolongar por tempo indefinido o isolamento de todos, os infetados e os não infetados.

Por isso, vamos lá testar a população para COVID-19 e isolar durante umas semanas quem der positivo. Senão vamos andar em isolamento social voluntário durante ANOS! É preferível gastar mais no presente para evitar perdas maiores no futuro – chama-se investimento!

Habituem-se ao novo normal: vamos ter de ser testados regularmente para COVID-19. Se der positivo então isolamo-nos umas semanas, sem stress, sem drama. Se der negativo duas vezes estamos safos … até ao próximo teste.

Há escassas semanas a Coreia do Sul estava com um crescimento exponencial do número de infetados até começarem a testar massivamente a população e a isolar os positivos.

Por isso, Sr. Primeiro Ministro peço-lhe que considere o seguinte:

  1. Drive-in em todos os distritos para testar massivamente a população – as pessoas não podem sair dos carros. Se não for assim, vão formar fila e infetar outros. [Aliás, a ideia de ficarem nos carros até serem chamados deveria ser a norma aplicável também às compras em supermercados.]
  2. O teste terá que ser uma rotina – sugiro de 3 em 3 meses. Terá que ser tão natural quanto ir às análises de sangue.
  3. Tornar obrigatório o isolamento de infetados – sendo punido como crime de homicídio quem violar esta obrigação.
  4. Cada infetado deve ter uma espécie de pulseira eletrónica para se monitorar o cumprimento das regras de isolamento. A tecnologia hoje em dia permite monitorar por GPS se os infetados permanecem no seu domicílio ou não.
  5. Os testes ao COVID-19 têm de ser centralizados (mas de fácil acesso à população), públicos e gratuitos (porque se trata de um problema de saúde pública com externalidades negativas gravíssimas). Temo que se não houver controlo, alguns centros poderão classificar erradamente alguns infetados como não infetados (a corrupção existe, infelizmente).

Está na altura de começarmos a dar a volta por cima.

Sobre Pedro G. Rodrigues

Investigador integrado no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) e Professor Auxiliar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa. Doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa. Email: pedro.g.rodrigues@campus.ul.pt
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