Relato do Webinar “Pandemia e Recuperação Económica”

Já está disponível o relato do webinar “A Pandemia e a Recuperação Económica” no qual fui moderador no passado dia 28 de janeiro de 2021 e que contou com a participação dos ilustres professores Constantino Sakellarides e Ricardo Reis.

Se não teve oportunidade de assistir ao vivo, tem agora a possibilidade de ler o relato, assim como o resumo do mesmo.

Resumo
O que se obtém quando se juntam Constantino Sakellarides e Ricardo Reis para discutir a pandemia em curso e a tão almejada recuperação económica? Uma reflexão interessante onde a macroeconomia e a saúde pública se complementam. Esta nota faz o relato de uma dessas sessões, onde se falou da evolução recente da pandemia em Portugal e no resto do mundo, na resposta das autoridades num quadro de incerteza e, ainda, do papel das Agências do Medicamento, enquanto reguladoras. Reforçou-se a necessidade de ter indicadores atualizados para poder controlar a transmissão da doença e o que é necessário fazer para que as sessões do INFARMED se tornem efetivamente em aconselhamento científico. Argumentou-se que, apesar dos testes terem um custo, os benefícios associados a controlar a pandemia são largamente superiores, pois sem saúde pública não há economia. Quanto ao papel da União Europeia na distribuição das vacinas, concluiu-se que, para além de ter demorado muito tempo a aprová-las, encomendou-as em número muito insuficiente, especialmente em face de um desconfinamento global e um retorno à normalidade que exigem um apoio aos países menos desenvolvidos. No plano da política macroeconómica contracíclica e da resposta orçamental à crise, foi desejável aumentar o endividamento público (pedindo emprestado ao futuro), não só para apoiar quem mais sofreu com a pandemia, mas também para compensar o aumento (mecânico?) da poupança privada. O futuro (2021 e 2022) depende muito de como o setor privado usará este excesso de poupança: com prudência, atrasando assim a recuperação da atividade económica em termos conjunturais, ou de uma só vez, agravando as tensões inflacionistas.


Palavras-chave: Pandemia; Crise sanitária; COVID-19; Vacina; Capacidade do Estado; Estímulo orçamental;

Abstract
What do you get when Constantino Sakellarides and Ricardo Reis get together to discuss the ongoing pandemic and the so-yearned-for economic recovery? An interesting reflection where macroeconomics and public health complement each other. This note reports on one of these sessions, where the recent evolution of the pandemic in Portugal and the world over was discussed, along with the authorities’ response in a setting of uncertainty and the role drug or medicine agencies must play, as regulators. The need for up-to-date indicators was also stressed to be able to control the transmission of the disease, and what needs to be done so that INFARMED sessions become effective scientific counsels. It was further argued that, although tests carry a cost, the associated benefits in controlling the pandemic far outstrip them, given that without public health there is no economic activity. With respect to the European Union’s role in the distribution of vaccines, in addition to having taken too long in approving them, too few jabs were ordered, especially because a global return to normalcy will entail supporting less-developed countries. On the macroeconomic countercyclical policy front and the fiscal response to the crisis, raising public debt proved to be the right thing to do (borrowing from the future), not only to support those who were hit the most with the pandemic, but also to offset the (mechanical?) increase in private saving. The future (2021 and 2022) largely depends on how the private sector will use this excess saving: either prudently, thus delaying the recovery of economic activity, or using it all up as a result of pent-up demand, thus stoking inflationary tensions.


Keywords: Pandemic; Sanitary crisis; COVID-19; Vaccine; State’s capacity; Fiscal stimulus;

Sobre Pedro G. Rodrigues

Investigador integrado no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) e Professor Auxiliar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa. Doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa. Email: pedro.g.rodrigues@campus.ul.pt
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