Nova publicação

newO artigo “A Política Monetária Não Convencional Como Indicador Avançado das Cotações Cambiais” [Non-Conventional Monetary Policy as a Leading Indicator of Foreign Exchange Rates] foi recentemente publicado na revista nacional Lusíada. Economia & Empresa, n.º 24, 131-141, 2018 [Link].

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Professores deslocados

Será assim tão difícil? Todos os anos por esta altura assistimos ao drama que é ser professor do ensino não superior e estar colocado muitas vezes a centenas de quilómetros de casa, com todo o transtorno e acréscimo de custos que acarreta. São pais longe dos filhos, dos familiares e dos amigos, é a necessidade de alugar quarto, são os transportes (gasóleo, portagens) e os riscos inerentes (por exemplo, a sinistralidade rodoviária).

Um economista observa esta realidade recorrente e pergunta se não haveria uma forma alternativa com melhores resultados para todos. Ok, para quase todos, porque se fosse resolvido o problema, aí os que colocam os quartos para arrendar, assim como a Brisa, as petrolíferas e o próprio Estado (através das receitas de IVA a mais que um professor tem de pagar) provavelmente sairiam a perder. Digo provavelmente, porque não é óbvio. É sempre possível que com os recursos libertados com uma melhor solução os professores gastassem as suas energias e o seu rendimento noutras actividades que pudessem também render algum dinheiro a estes agentes económicos. Já para não falar da qualidade das aulas que seria melhorada com um docente mais fresco e mais motivado. Assim, a tentação de se fazer à estrada numa quinta-feira à tarde é enorme. Em suma, haveria maior disponibilidade por parte do docente.

Mas será assim tão difícil arranjar uma solução alternativa? Esta situação faz-me lembrar algo que li há uns anos e que mostra bem que não devemos subestimar a capacidade do mercado em ajudar a resolver problemas deste tipo. Numa sala de aula, alguém oferece a cada criança um rebuçado, tirado à sorte de um saco grande. O problema é que muitas crianças obtêm o que não querem. As crianças são todas diferentes: umas são alérgicas a amendoim, outras simplesmente preferem chocolate a alcaçuz. Como é que as crianças – deixadas por si próprias (i.e., permitindo que a iniciativa privada opere) –  resolvem este problema? Trocam rebuçados entre elas: para uma troca ser viável, basta que uma tenha o que a outra quer, e vice versa. Aliás, o exemplo funciona para rebuçados como funciona também para cromos.

E para colocações de professores do ensino não superior? Não seria possível ao Ministério da Educação (ou a outro agente da sociedade em que vivemos) montar uma plataforma onde os professores pudessem apresentar a sua colocação para a troca? Afinal, tenho a certeza que deve haver neste momento um professor de educação visual de Vila Franca de Xira que foi colocado em Mirandela que estaria disposto a trocar com um colega com as mesmas competências e que reside mais perto e que foi colocado perto da capital.

Aliás, o que um economista se pergunta mesmo é por que razão o Ministério da Educação não usa um algoritmo inteligente que melhore este emparelhamento.

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Como lucrar com a política monetária não convencional?

Para quem segue as decisões dos bancos centrais, o termo Quantitative Easing já não é novidade. Trata-se de um instrumento não convencional da política monetária, usada quando as taxas de juro nominais se encontram em níveis muito baixas, a zero, ou mesmo em níveis negativos. O objectivo é estimular uma economia débil que corre riscos de deflação.

Mas como? O banco central compra activos (obrigações do Estado, mas não só) com nova moeda que cria digitalmente, sendo que o balanço do mesmo vai crescendo.

Num artigo que terminei há dias, intitulado “A Política Monetária Não Convencional Como Indicador Avançado das Cotações Cambiais”, disponível aqui em versão [PDF], mostro como foi possível obter mais valias, transaccionando as principais divisas umas contra as outras, usando um algoritmo que ajuda a escolher entre duas estratégias de negociação cambial. O algoritmo usa informação sobre o ritmo ao qual os bancos centrais estão a comprar (ou estão a desfazer-se dos) activos.

Mas estes resultados não são só de interesse arqueológico neste momento em que a crise financeira já terminou? Não. Simplesmente porque o tamanho dos balanços dos bancos centrais entretanto cresceu — colossalmente — e o que se segue é um processo de normalização da política monetária (vendendo ao mercado os activos comprados e dependendo cada vez mais de instrumentos convencionais como a redução da taxa de juro para estimular as economias em tempos de recessão). Logo, com vista às tais mais-valias de uma negociação cambial, parece muito provável que a estratégia que funcionou na fase de acumulação seja também útil na prolongada fase de desacumulação de activos, até porque os bancos centrais agem a ritmos diferenciados. Veja-se o caso da Reserva Federal que já iniciou a desacumulação há vários trimestres, enquanto o BCE vai começar só em 2019. Assim, não é difícil entender o porquê de um dólar forte.

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Mais infra-estruturas de saúde ajudam a economia (mas só a prazo)

Vejam este artigo de opinião no Público de hoje, da autoria de Alfredo Marvão Pereira, com quem escrevi recentemente um artigo de investigação (em co-autoria também com Rui Marvão Pereira) [ver PDF] sobre o impacto económico (a nível agregado e sectorial) de mais investimento em infra-estruturas  de saúde.

Os efeitos dinâmicos não são triviais, pois conclui-se que um projecto de investimento em infra-estruturas de saúde não deve integrar um pacote de estímulo à economia porque os efeitos a curto prazo (à excepção do investimento) são negativos. Apesar disso, os efeitos a prazo são positivos e maiores que os efeitos de impacto. Logo, mais infra-estruturas de saúde ajudam ao desempenho da economia, mas só a prazo. Não são um instrumento contra-cíclico para moderar os efeitos de uma recessão.

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1.24

É o valor que prevejo que o euro atinja face ao dólar, em meados de Janeiro de 2018.

Depois cairá.

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O desafio para os próximos tempos …

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Nem toda a actividade económica é crescimento económico, mas todo o crescimento económico é actividade económica. O crédito nem é bom nem é mau … depende do que se faz com ele. E sempre que o valor que se gera (em valores descontados para o presente) não chega para pagar a dívida que se contraiu, foi um erro. Há que olhar para a COMPOSIÇÃO quer do PIB quer da redução do défice. Por exemplo, quando o “driver” é mais o consumo privado do que o investimento, isso pode ser sinal que o valor criado é insuficiente. Mas nisto tudo, o que os anos mais recentes nos ensinaram, é que não basta o raciocínio económico (por melhor que seja) – é necessário preservar um equilíbrio político. Encontrar um caminho com “paz social” em que também se fazem as reformas necessárias para modernizar o País, esse é o desafio para os próximos anos, não só em Portugal.

Feliz Natal! 🙂

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Segurança Social em Portugal: Sustentável até quando?

Disponibilizo aqui em PDF a apresentação que fiz ontem na Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da Conferência “Orçamento do Estado 2017 – Saúde e Segurança Social – Para Onde Vamos?”, organizado pela Cidadania Social e pela Ordem dos Economistas, onde mostrei que me parece haver uma dúvida bastante razoável se a Segurança Social em Portugal pode continuar para lá dos anos 2020 sem mais uma reforma. Relembro que a posição oficial do Governo nesta matéria é que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) apenas se esgota em 2043.

Está em curso a elaboração do artigo que apresenta estes resultados e explica como foram obtidos. Contamos poder disponibilizá-lo aqui até ao final de 2016.
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