Entrevista

Concedi há dias a seguinte entrevista à Beatriz Maia, uma aluna do Instituto Superior de Economia e de Gestão (ISEG) da ULisboa para uma nova plataforma no Instagram que se chama EAgora.pt e que se destina ajudar os alunos do ensino secundário a escolher melhor o seu curso superior. Uma excelente iniciativa! Parabéns Beatriz!

  • Na tua opinião, quais as semelhanças e quais as diferenças entre o curso de Economia e de Gestão? A Gestão preocupa-se em atingir determinado(s) objetivo(s) fixados pelo responsável de uma qualquer organização. Nesse sentido, um treinador de futebol tem de ser bom gestor – tem de conhecer os seus jogadores (os seus pontos fortes e fracos), qual a melhor forma de os colocar em campo (a estratégia e a tática de jogo), como motivá-los, como resolver conflitos e como reagir a adversidades (aquele golo que dá 1-0 ao adversário no minuto 80′ de um jogo), entre muitas outras funções. Quem determina o objetivo é o presidente do clube. A Gestão é uma ciência tão polivalente e tão procurada hoje em dia precisamente porque sem saber para onde queremos ir (o nosso objetivo), nunca lá chegaremos. Gestão muitas vezes é confundida com Economia, mas são mais as diferenças que as semelhanças. A semelhança é apenas que ambas usam ‘recursos’ – i.e., tudo o que temos à nossa disposição para atingir os objetivos a que nos propomos. A Economia preocupa-se essencialmente em aumentar o bem-estar (material) de uma sociedade (i.e., em aumentar a felicidade ao maior número possível de pessoas – algo a que os economistas dão o nome de eficiência económica) e a forma como esta felicidade é distribuída entre todos (a chamada justiça social). É um erro pensar que a Economia e os economistas só se interessam pelo lucro, combater os défices e baixar a dívida. Aliás, o paradigma moderno refere a ‘criação de valor’ que é um conceito que inclui a sustentabilidade em todas as suas vertentes. É nesse sentido que me vejo como uma espécie de ‘Engenheiro da Felicidade Material, EFM’. 🙂
  • O que te fez optar por esta área? Eu sempre me interessei pela ciência e pela política, e pensava que devia haver uma forma sistematizada da primeira ajudar a segunda. Lembro-me que à medida que tentava compreender a imprensa na altura, perguntava-me como é que as pessoas com poder (os políticos e os gestores) tomam decisões importantes que afetam a vida de milhares de pessoas? Deve haver um método científico qualquer. É com base em quê? Depois com o tempo, fui descobrindo – pelo meu próprio pé – como os problemas sociais são muito espinhosos – coisas como a pobreza, o desemprego, os baixos salários, a baixa produtividade, o endividamento, etc. São espinhosos porque são multifatoriais (i.e., são influenciados por vários fatores). Como o problema da obesidade – depende da genética, da psicologia, do comportamento, da forma como as cidades estão organizadas, etc. E tudo isso ainda me intriga hoje em dia. Cada vez mais, chego à conclusão que apesar da Economia estar em todo o lado, não podemos nem devemos usar o nosso senso comum para compreender e melhorar o mundo. Há que estudar como o mundo (económico) funciona. Na política, não pode só valer a ideologia e a retórica. Acho que, cada vez mais, o eleitorado quer decisões fundamentadas em boas práticas e em evidência científica.

Fala-nos um pouco sobre o teu percurso académico e profissional até aqui. Bem, tenho atualmente 45 anos e considero que estou sensivelmente a meio da minha carreira. Costumo dizer que o meu principal enviesamento profissional é ser licenciado, mestre e doutor em Economia, tudo pela (agora designada) Nova SBE, da qual tenho muito boas recordações, principalmente por vários professores-chave que me deram o framework mental com que abordar qualquer questão da sociedade em termos económicos. Neste momento sou investigador, orientador e professor no ISCSP, uma das escolas da ULisboa, uma função que desempenho desde 2010. Antes disso, logo quando me licenciei, passei um pouco mais de dez anos a trabalhar no Ministério das Finanças, primeiro como técnico-economista da então DGEP (agora GPEARI) e depois como adjunto do Secretário de Estado do Orçamento, Dr. Emanuel Santos, entre 2007 e 2010. Tive também breves passagens pela Comissão Europeia, pela OCDE e pelo FMI. Por isso, gosto de pensar que as minhas aulas e a minha investigação beneficiam da experiência do terreno que acumulei nesse período. Pelo menos, é o que dizem os meus alunos. 🙂

  • O que é que a pessoa pode esperar do teu curso e quais as coisas que gostavas que te tivessem dito sobre ele? Quem escolhe fazer uma licenciatura em Economia pode esperar aprender a usar uma ferramenta que a vai ajudar não só a compreender melhor o mundo, mas também – e principalmente – a saber distinguir as boas ideias das más ideias. Acho que ser economista é isso mesmo. Assim como todos temos um umbigo, também temos o direito a opinar sobre tudo e mais alguma coisa. Mas há soluções propostas por alguns que são verdadeiramente más para a sociedade. E a função de um bom economista é ter o ‘faro’/radar apurado e combater esses erros. Com isto não estou a dizer que um bom economista é arrogante ao ponto de pensar que tem todas as soluções e que é dono da verdade. Nada disso. Combater a demagogia não só é possível, como é indispensável. A Economia é apenas uma das várias ciências sociais e uma boa decisão política exige que todas sejam auscultadas.

Quanto à segunda pergunta – o que gostaria que me tivessem dito sobre o curso de Economia … Que a sociedade nos vê como cientistas da desgraça (dismal scientists), que é algo que devemos procurar combater. Isso deve-se talvez ao facto de muitas vezes sermos chamados para antecipar ou resolver problemas quando as soluções, por terem sido adiadas pelos políticos, já requerem um ajustamento com dor (aumentando o desemprego, por exemplo. Daí a designação de ciência da desgraça!). Se pensarmos em dois dos maiores desafios que enfrentamos a médio prazo – como as alterações climáticas e a sustentabilidade financeira da Segurança Social – a mensagem da maioria dos economistas é clara (e desagradável!): quanto mais tempo esperarmos para agir, maior terá que ser o ajustamento (a dor!). Para terminar numa nota mais positiva, um economista deve salientar o que se deve fazer de forma preventiva e não só corretiva. O problema é que os recursos são sempre limitados e, para termos mais recursos, temos que fazer um investimento que comporta necessariamente um sacrifício no presente para podermos estar melhor no futuro. Escolhas sempre difíceis …

  • Quais são, na tua opinião, as competências essenciais para quem quer seguir esta área. Ser eclético. Gostar de tudo um pouco, como história e geografia. Ter imensa curiosidade sobre como funciona o mundo. Achar piada à política. Gostar de pessoas. E ter alguns conhecimentos de matemática (mais a intuição que outra coisa) também ajuda.
  • Por fim, como posso saber qual dos 2 cursos se adapta mais a mim? O que posso fazer para ajudar a escolher entre os 2. Como dizia o filósofo Sócrates, conhece-te a ti próprio. Faz uma introspeção e verifica depois a seguinte checklist: Gestão é melhor alternativa se: 1) para ti é mais importante ganhar dinheiro do que contribuir para melhorar a sociedade, 2) és mais executiva que analítica, 3) gostas de trabalhar em grupo, 4) preferes ler uma Harvard Business Review a um The Economist, e finalmente 5) preferes um Shark Tank a um Prós e Contras.

Muito Obrigada Pedro.

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Estudo da Gulbenkian – justiça intergeracional

Saiu há dias o estudo “Finanças Públicas: Uma Perspetiva Intergeracional”, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian e da autoria de Francesco Franco, Luís Teles Morais, Tiago Bernardino e João Tovar Jalles.

Vejam aqui para mais informação.

Num contexto de envelhecimento da população em Portugal, onde manter a sustentabilidade das finanças públicas é imperativo, este é um trabalho incontornável que deve ser lido por todos. O status quo é claramente insustentável, na definição de um economista – algo que não poderá continuar por tempo indefinido no futuro.

Espero que o debate que agora se (re)inicia sejá mais fundamentado em números (dados estatísticos e projeções sérias) e não apenas (mais) um combate ideológico.

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Não confundir produção com produtividade

[…] achar que é possível reduzir a semana de trabalho não é realista num país como Portugal, que precisa de aumentar a sua produtividade.” Pedro Mota Soares, in https://eco.sapo.pt/entrevista/nao-e-realista-reduzir-semana-de-trabalho-porque-portugal-precisa-de-aumentar-produtividade-diz-mota-soares/

Temos que ter cuidado com os conceitos. Em economia, produtividade do trabalho define-se como: o valor económico criado em cada hora de trabalho. Se é verdade que a produtividade marginal é tipicamente decrescente – porque à medida que trabalhamos mais horas, o acréscimo do que produzimos é cada vez menor – é preciso não confundir produção (output) com produtividade, que é uma medida quão eficientes somos na produção desse output. Essa produtividade mede-se como um rácio entre output e input.

Por isso, uma redução do número de horas de trabalho (em contínuo), poderia até aumentar a nossa produtividade. Julgo que Pedro Mota Soares confundiu produção com produtividade. Portugal tem baixa produtividade e tem baixa produção, mas estes dois não são sinónimos.

Para mais informação sobre produtividade, veja aqui, um texto da OCDE.

Para informação sobre os quatro determinantes da produtividade, veja aqui.

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Portugal sob enorme stress climático

Quem o diz é o BCE: https://www.ecb.europa.eu/press/blog/date/2021/html/ecb.blog210318~3bbc68ffc5.en.html

A figura 2A é deveras preocupante para Portugal.

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Liberdade de escolha

Pfizer, Moderna, J&J, Sputnik e Astra Zeneca são as alternativas na vacinação contra a COVID-19. O Governo Português optou por encomendar em massa a última, talvez por ser a mais barata. Mas o barato sai caro, especialmente se a população (com ou sem razões válidas) deixar de querer ser vacinada com AZ. Aí surgem derivas autocráticas para ver se se escoa o produto … através do medo!

Teria sido muito mais fácil o Governo Português ter dito algo como: “As finanças públicas portuguesas só suportam o pagamento da vacina mais barata (AZ). Se quiserem outra, por favor indiquem (por exemplo no portaldasfinancas) qual querem e encomendamos a um bom preço, fazendo depois o ajuste em termos de IRS”.

Mas não, preferiram a aleatoriedade (lotaria?) em que ninguém sabe o que vai receber.

Decididamente, o Governo não respeita a liberdade de escolha dos portugueses.

https://www.publico.pt/2021/03/19/sociedade/noticia/recusar-vacina-astrazeneca-vai-fim-lista-assim-nao-podera-escolher-1955068#comments

“Mas na conferência de imprensa online de ontem a EMA não conseguiu descartar a possibilidade de que exista uma relação de causa-efeito entre os casos raros de formação de coágulos sanguíneos com diminuição de plaquetas notificados em vários países, que causaram a morte de nove pessoas.”

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O Plano de Recuperação e Resiliência em discussão

Foi publicado no jornal Público um artigo de opinião onde para além de apresentar sete propostas para afinar o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) que está em consulta pública até dia 1 de março 2021, teço algumas considerações prévias sobre eventuais tensões e ou inconsistências.

I have a new op-ed (in Portuguese) on the Portuguese Plan for Recovery and Resilience, titled ‘PRR: Decentralize and Empower’, published in Público, a daily newspaper.

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Relato do Webinar “Pandemia e Recuperação Económica”

Já está disponível o relato do webinar “A Pandemia e a Recuperação Económica” no qual fui moderador no passado dia 28 de janeiro de 2021 e que contou com a participação dos ilustres professores Constantino Sakellarides e Ricardo Reis.

Se não teve oportunidade de assistir ao vivo, tem agora a possibilidade de ler o relato, assim como o resumo do mesmo.

Resumo
O que se obtém quando se juntam Constantino Sakellarides e Ricardo Reis para discutir a pandemia em curso e a tão almejada recuperação económica? Uma reflexão interessante onde a macroeconomia e a saúde pública se complementam. Esta nota faz o relato de uma dessas sessões, onde se falou da evolução recente da pandemia em Portugal e no resto do mundo, na resposta das autoridades num quadro de incerteza e, ainda, do papel das Agências do Medicamento, enquanto reguladoras. Reforçou-se a necessidade de ter indicadores atualizados para poder controlar a transmissão da doença e o que é necessário fazer para que as sessões do INFARMED se tornem efetivamente em aconselhamento científico. Argumentou-se que, apesar dos testes terem um custo, os benefícios associados a controlar a pandemia são largamente superiores, pois sem saúde pública não há economia. Quanto ao papel da União Europeia na distribuição das vacinas, concluiu-se que, para além de ter demorado muito tempo a aprová-las, encomendou-as em número muito insuficiente, especialmente em face de um desconfinamento global e um retorno à normalidade que exigem um apoio aos países menos desenvolvidos. No plano da política macroeconómica contracíclica e da resposta orçamental à crise, foi desejável aumentar o endividamento público (pedindo emprestado ao futuro), não só para apoiar quem mais sofreu com a pandemia, mas também para compensar o aumento (mecânico?) da poupança privada. O futuro (2021 e 2022) depende muito de como o setor privado usará este excesso de poupança: com prudência, atrasando assim a recuperação da atividade económica em termos conjunturais, ou de uma só vez, agravando as tensões inflacionistas.


Palavras-chave: Pandemia; Crise sanitária; COVID-19; Vacina; Capacidade do Estado; Estímulo orçamental;

Abstract
What do you get when Constantino Sakellarides and Ricardo Reis get together to discuss the ongoing pandemic and the so-yearned-for economic recovery? An interesting reflection where macroeconomics and public health complement each other. This note reports on one of these sessions, where the recent evolution of the pandemic in Portugal and the world over was discussed, along with the authorities’ response in a setting of uncertainty and the role drug or medicine agencies must play, as regulators. The need for up-to-date indicators was also stressed to be able to control the transmission of the disease, and what needs to be done so that INFARMED sessions become effective scientific counsels. It was further argued that, although tests carry a cost, the associated benefits in controlling the pandemic far outstrip them, given that without public health there is no economic activity. With respect to the European Union’s role in the distribution of vaccines, in addition to having taken too long in approving them, too few jabs were ordered, especially because a global return to normalcy will entail supporting less-developed countries. On the macroeconomic countercyclical policy front and the fiscal response to the crisis, raising public debt proved to be the right thing to do (borrowing from the future), not only to support those who were hit the most with the pandemic, but also to offset the (mechanical?) increase in private saving. The future (2021 and 2022) largely depends on how the private sector will use this excess saving: either prudently, thus delaying the recovery of economic activity, or using it all up as a result of pent-up demand, thus stoking inflationary tensions.


Keywords: Pandemic; Sanitary crisis; COVID-19; Vaccine; State’s capacity; Fiscal stimulus;

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Como acelerar a vacinação? Que tal usar o mercado?

É urgente vacinar o maior número possível de Portugueses, o mais depressa possível. Para que possamos regressar à normalidade, tanto em termos de saúde pública, como em termos de funcionamento da nossa economia.

Até agora, temos adotado soluções dirigistas para vacinar os Portugueses, com os atrasos no processo que todos conhecemos – a este ritmo só lá para 2024 estaremos todos imunizados.

Eu pergunto quem, em Portugal, tem a maior experiência em termos de logística? Não serão as cadeias de distribuição que alimentam as grandes superfícies? Eles chegam a qualquer ponto do país – continente e ilhas – e não nos falta nada, sempre a tempo e horas, seja champô ou bróculos. Não seria, então, possível, envolver a Sonae, o Jerónimo Martins e o Auchan para acelerar o processo de vacinação?

O Estado, por si só, não tem a experiência que estes três demonstram dia após dia …

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O que determina o nível ótimo de seguro social?

https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/papers/wp202101.pdf

Nova publicação com João Amador sobre o que determina o nível ótimo de seguro social numa economia. Trata-se de um trabalho teórico usando um modelo estocástico em tempo contínuo. Publicado como Working Paper do Departamento de Estudos Económicos (DEE) do Banco de Portugal.

Aviso: Documento em inglês (e muito técnico).

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Provas de doutoramento

Vai a provas de doutoramento o meu (co)orientando (III Ciclo de estudos) Éder Alves. É já no dia 5 fev. às 14:00.

https://www.youtube.com/channel/UCVilAhW1haTGlLiMmAq-Dfg

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Participação num curso de formação política

O Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICJP) associado à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa está a organizar um Curso de Formação Política, onde participarei no dia 17 abril das 10:00 às 12:00, juntamente com Tito Boeri, como orador sobre o tema da Segurança Social. Será a 7.ª sessão, inserida na Parte III – Contas Públicas, subordinada ao Módulo IV – Economia e Finanças Públicas.

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Webinar: A pandemia e a recuperação económica

https://rebrand.ly/ubuh2

Marquem desde já os vossos calendários para o dia 28 janeiro (quinta-feira) das 18:00 às 19:30 para um Webinar único, organizado pelo Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) do ISCSP/ULisboa, no âmbito da Presidência Portuguesa da UE.

Numa das cinco sessões dedicadas à Europa, será a vez da Europa Resiliente, onde tenho o prazer de moderar um webinar (a transmitir pelo Youtube) que contará com a presença – já confirmada – de Constantino Sakellarides e de Ricardo Reis.

O Webinar estará estruturado em três partes:

Parte I – A pandemia está fora de controlo?

Parte II – A vacina é a luz ao fundo do túnel? e

Parte III – Em termos de política macroeconómica da atualidade, há mesmo um consenso TINA?

A não perder.

Peço, ainda, a vossa ajuda para eventuais perguntas que queiram colocar aos dois convidados. Podem usar os comentários aqui ou aguardar pela sessão e colocá-las no canal do Youtube.

http://capp.iscsp.ulisboa.pt/en/capp-clipping-2/news/item/2789-capp-webinars-european-presidency-the-5-europes
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Edição especial: Envelhecimento da população e políticas públicas

Está disponível a edição especial da revista do CAPP (Centro de Administração e Políticas Públicas), ISCSP-Universidade de Lisboa, dedicada ao tema ‘Envelhecimento da População e Políticas Públicas’ onde, juntamente com a Maria João Bárrios e o Feliciano Villar, fui editor convidado.

Leiam aqui o nosso Editorial.

Permitam-me que deixe publicamente uma nota de agradecimento à Maria João Bárrios pelo seu profissionalismo, empenho e dedicação incansável a esta edição especial da revista.

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Algum reconhecimento

É sempre muito bom quando personalidades de renome como o Gilbert Metcalf (Tufts University) e o James Stock (Harvard University) citam o nosso trabalho. Neste caso foi um artigo publicado em 2016 no Energy Policy com Alfredo Marvão Pereira e Rui Manuel Pereira.

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Duas novas publicações

Para quem tiver interesse, estão agora disponíveis na íntegra duas publicações que agora constam do n.º 28 da revista Lusíada. Economia & Empresa.

Uma Reflexão Sobre os Possíveis Efeitos Socioeconómicos da CoViD-19 [A Reflection On the Possible Socioeconomic Effects of CoViD-19], https://doi.org/10.34628/4j3h-hp67 e ainda

Portugal Vs. a OCDE: A Competitividade Orçamental em Análise [Portugal Vs. the OECD: Fiscal Competitiveness Under Analysis] (com o doutorando/meu orientando  Luís G. Pêcego), https://doi.org/10.34628/ata0-2717

Como sempre, todos os comentários são bem-vindos.

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Notícias no Twitter

Se quiserem saber onde acompanho notícias (em tempo real) sobre a CoViD-19 e sobre finanças e economia, cliquem na coluna do lado direito (em cima) logo a seguir a ‘Notícias a partir do Twitter’.

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Novo draft – Uma reflexão sobre os possíveis efeitos socioeconómicos da CoViD-19

Está disponível o resumo em português e em inglês do artigo Uma Reflexão Sobre os Possíveis Efeitos Socioeconómicos da CoViD-19[A Reflection On the Possible Socioeconomic Effects of CoViD-19].

Resumo. Esta breve nota resulta de uma reflexão do autor e pretende sistematizar num só texto os vários efeitos socioeconómicos que podemos esperar, resultantes da pandemia por CoViD-19. Alguns destes efeitos já estão em curso; outros poderão ou não se materializar, dependendo de eventuais alterações permanentes no nosso comportamento. Em todo o caso, este pretende ser um pequeno contributo estratégico com vista à formulação de melhores políticas públicas nos próximos tempos, numa altura em que os múltiplos stakeholders estão naturalmente muito ocupados na resolução de problemas mais imediatos.

Palavras-chave: Coronavírus; CoViD-19; Pandemia; Desemprego; Distanciamento social; Quarentena;

Abstract. This brief note is the result of the author’s reflection and aims to systematize in one text alone various socioeconomic effects we can expect, resulting from the CoViD-19 pandemic. Some of these effects are already ongoing; others may or may not materialize, depending on hypothetical permanent changes in our behavior. In any case, this aims to be a small strategic contribution with a view to formulating better public policies soon, at a time when the multiple stakeholders are naturally very busy solving more immediate problems.

Keywords: Coronavirus; CoViD-19; Pandemic; Unemployment; Social distancing; Quarantine;

 

Usando dados até 10 de abril 2020, a Figura 1 analisa os resultados para um conjunto alargado de países e faz um ponto de situação quanto à evolução do número acumulado de óbitos, vítimas por CoViD-19, e ainda quanto ao sucesso das medidas de contenção no achatamento das curvas epidemiológicas.

Logo à partida, uma explicação sobre o porquê de nos focarmos nos óbitos e não na evolução do número de infetados: estes últimos são um caso com resolução incerta – uns recuperarão, outros terão que ser hospitalizados, alguns desses serão internados com necessidade de cuidados intensivos, e uns virão a morrer. Em última análise, o sucesso de medidas de contenção mede-se através do número de óbitos. Pouco importará se há um grande número de infetados, desde que a mortalidade seja baixa. Entendemos assim o achatamento da curva epidemiológica como um forte abrandamento da evolução acumulada do número de óbitos, vítimas por CoViD-19.

Outra característica da Figura 1 é estar na escala logarítmica. Nesse contexto, uma linha reta representa um fenómeno com crescimento exponencial a evoluir a uma taxa constante. O achatamento (redução progressiva da inclinação de uma curva) representa assim a redução dessa taxa de crescimento, muito provavelmente devido à tomada de medidas pelas autoridades.

A terceira e última característica da Figura 1 reporta-se aos cálculos de normalização que são necessários para assegurar a comparabilidade dos países analisados. Ao contrário do que aparece diariamente nos noticiários, não nos podemos focar nos números em absoluto. Há que dividir o número de casos pela população desse país. Caso contrário, como poderemos saber se 2.000 óbitos em 24 horas é um número grande ou pequeno? Interessa saber se se trata de um país como os EUA (328 milhões) ou de um país como a Itália (com 60 milhões de habitantes). Por este motivo, o ajustamento ‘per capita’ é importante, considerando-se o número de casos ‘por milhão de habitantes’. Mas existe uma outra normalização que tem de ser feita. Os diversos países não foram todos atingidos ao mesmo tempo com o surto de CoViD-19. Por isso, nas abcissas contam-se o número de dias desde o primeiro óbito por milhão de habitantes, momento que determina o início do surto viral.

Pelo menos até ao momento, Portugal (aqui representado pela linha grossa a preto) está a ter um desempenho melhor que a média dos países mais desenvolvidos e em linha com o da Dinamarca. Países com uma evolução menos pronunciada no seu número acumulado de óbitos incluem a Alemanha, o Canadá e a Finlândia, sendo que os casos da Grécia e do Irão merecem algumas reservas quanto à qualidade dos dados disponíveis. Outra conclusão é que é preciso manter o esforço de contenção e continuar a exercê-lo de forma disciplinada, uma vez que as curvas oscilam e rapidamente (em escassos dias) um ‘bom aluno’ pode transformar-se num caso complicado. Finalmente, há aparentemente países que suscitam muita preocupação, como é o caso do Reino Unido, da Irlanda, dos Países Baixos e da França que parecem trilhar o mesmo caminho percorrido pela Itália, com um atraso de apenas uns dias. Os Estados Unidos parecem estar na mesma rota em que estão a Suíça e o Luxemburgo. E, por fim, o país que à data de 10 de abril 2020 mais preocupação suscitava era a Bélgica, com uma evolução do número acumulado de óbitos, vítimas por CoViD-19, ainda mais pronunciado que a Espanha.

Mais da minha investigação disponível aqui.

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Dados de mortalidade por atualizar desde fevereiro

Apesar do gráfico dizer ‘atualizado a 17 de abril de 2020’, a verdade é que os dados de mortalidade por região de saúde coligidos pelo Ministério da Saúde pararam em 18 ou 19 de fevereiro de 2020.

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Onde parará a bolsa Norte-Americana?

S&P: 640, abaixo dos 666 vistos durante a crise financeira de 2007/8.

Quando? Entre 2021 e 2022.

Isso representaria uma descida de 81,16% desde o pico (3397,03) e levaria o índice bolsista de volta a 1996.

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Novo draft – Competitividade orçamental na OCDE

Está disponível o resumo em português e em inglês do artigo Portugal Vs. a OCDE: A Competitividade Orçamental em Análise[Portugal Vs. the OECD: Fiscal Competitiveness Under Analysis], em coautoria com Luís G. Pêcego.

Resumo. Este artigo pretende determinar que países da OCDE são uma referência quando falamos de reforma do processo orçamental. Usando dados facilmente acessíveis, ordenamos os países pelo seu score de competitividade orçamental (SCO). É um indicador novo que vai para além dos critérios financeiros convencionais da política orçamental como o desequilíbrio das finanças públicas, o peso do Estado ou a carga fiscal. Ao invés disso, focamos em três critérios económicos fundamentais e que determinam se o processo orçamental produz bons resultados: a transparência orçamental, o desempenho do setor público e, finalmente, a orientação das políticas públicas para o futuro. Do Estado espera-se não só que preste contas pelo que faz, mas também que contribua efetivamente para a Riqueza das Nações e para a contínua melhoria da qualidade de vida da população, acautelando riscos e tendências.

Palavras-chave: Competitividade orçamental; Setor público competitivo; Orientação para o desempenho; Transparência orçamental;

Abstract. This article aims to determine which OECD countries are a reference when we speak of reforming the budgetary process. Using easily accessible data, we order countries by their Score for Budgetary Competitiveness (SCO). This is a new indicator that goes beyond fiscal policy’s conventional financial criteria such as the imbalance of public finances, the State’s weight, or the tax burden. Instead, we focus on three fundamental economic criteria that determine whether the budgetary process yields good results or not: budgetary transparency, public sector performance, and, finally, public policies’ orientation towards the future. From the State one expects not only accountability for what it does, but also that it effectively contributes towards the Wealth of Nations and continuously improves the population’s quality of life, safeguarding risks and considering trends.

Keywords: Fiscal competitiveness; Competitive public sector; Performance orientation; Budgetary transparency;

Conclusão 1. Os Países Baixos, a Finlândia e a Dinamarca são claramente os que se destacam não só pelo Score de Competitividade Orçamental, mas também porque estes três países têm componentes com rankings de um só dígito.

Conclusão 2. No quintil de topo, os países com fragilidades relativas estão devidamente assinalados a negrito: Reino Unido e Suíça, na transparência orçamental (TO), Noruega e Suécia no desempenho do setor público (DSP), e a Suécia na orientação para o futuro das suas políticas públicas (OFPP).

Conclusão 3. Da mesma forma, no segundo quintil de topo há países que, embora não tenham R entre 1 a 7, destacam-se pela positiva: a Nova Zelândia e o México na TO, o Luxemburgo e os EUA no DSP e o Luxemburgo e a Alemanha na OFPP.

Mais da minha investigação disponível aqui.

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RTP … mais uma oportunidade perdida

Numa altura em que a esmagadora maioria dos Portugueses está presa em casa, a RTP (Radio Televisão Portuguesa) poderia aproveitar a oportunidade para ganhar quota de mercado às suas rivais. Como? Com uma programação dedicada a quem está – lá está – fechado em casa. Mas não. Em vez disso, continua tudo como igual. Igualmente mau, entenda-se.

Dos rivais não se espera serviço público, mas da RTP …

Também, que sentido faz ter de olhar para publicidade na TV numa altura em que as famílias têm poucas alternativas a ter a TV ligada grande parte do dia. Parece uma tortura dispensável. Acabem com a publicidade enquanto a quarentena durar. Já!

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De 1, fez-se 9

Vejam isto:

https://interestingengineering.com/canadian-doctor-rigs-ventilator-to-treat-nine-patients-instead-of-just-one

O relato de um médico canadiano que já atraiu a atenção de Elon Musk (da Tesla) com a sua inovação: consegue ligar até 9 pessoas a um só ventilador.

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Uma atualização

Com enorme esforço, a Espanha e a Itália começam a dominar o crescimento do número de óbitos por COVID-19.  A França, o Reino Unido e os EUA ainda não.

E por cá? Por agora, estamos ainda piores que a rota macabra. Ver post anterior.

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Em que nos devemos focar?

No número de infetados pelo COVID-19 ou no número de óbitos?

Parece-me que a resposta certa é na evolução do número de óbitos, por duas razões: 1) há países que testam mais que outros, e esses encontrarão um maior número de infetados (mas não terão necessariamente um maior número de óbitos – como é o caso da Alemanha), e 2) Alguns dos infetados recuperarão, mas os óbitos são finais.

Nota: Quanto mais se testar, maior será o número de infetados que encontraremos, mas a taxa de letalidade do vírus será menor porque estão incluídos casos menos graves. Para além da vantagem de, sabendo quem está de facto infetado, isolá-los da comunidade.

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A rota macabra

É bom que não sigamos esta tendência para o número de óbitos por COVID-19 em Portugal.

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