60 dicas para a reganhar a sua liberdade (financeira)

goldfish jumping out of the water

Por cortesia do blog The Simple Dollar, trago-vos 60 dicas para reganharmos a nossa liberdade financeira:

#1 – Poupe, i.e. gaste sempre menos do que ganha.

#2 – Adopte o minimalismo. Mantenha tudo tão simples quanto possível.

#3 – Não hipoteque o seu futuro.

#4 – Constitua um fundo para emergências.

#5 – Pague primeiro as dívidas com as maiores taxas (TAEGs).

#6 – Poupe para a sua reforma.

#7 – Compre seguros de vida que beneficiem os seus dependentes.

#8 – Faça um orçamento familiar (para saber onde gasta o seu dinheiro, e para ter tectos para cada rubrica de despesa).

#9 – Passe todas as suas despesas a pente fino.

#10 – Calcule quanto ganha à hora.

#11 – Use o #10 como bitola para tudo o que pondera comprar.

#12 – Ignore as notícias do dia-a-dia do mundo financeiro.

#13 –  Ignore as projecções macroeconómicas.

#14 – Estabeleça metas e convença um amigo/a a mandar-lhe um SMS semanal para o/a recordar do que pretende atingir.

#15 – Alugue, a não ser que o custo total de ter habitação própria seja mais baixo.

#16 – Compre um automóvel apenas baseado na sua fiabilidade e eficiência energética.

#17 – Cumpra o limite de velocidade quando conduz na estrada.

#18 – Faça a calafetagem da sua casa para gastar menos.

#19 – Aposte no capital social – mantenha boas relações pessoais com os seus vizinhos.

#20 – Peça sempre um desconto. Sempre! Sem excepções!

#21 – Não é obrigado a poupar com vista à educação superior dos seus filhos. Mas se puder, faça-o!

#22 – Ensine os seus filhos os princípios basilares de boas finanças pessoais, e seja um exemplo vivo disso.

#23 – Não resgate o seu PPR. Não quebre o porquinho-mealheiro dos seus anos dourados.

#24 – Coloque o seu dinheiro em ETFs ou Fundos que acompanham índices de acções.

#25 – Não olhe a toda a hora para o desempenho da sua carteira de investimentos. Haverá volatilidade, mas com o tempo não se arrependerá.

#26 – Não invista em acções de uma só empresa ou grupo. Diversifique.

#27 – Não compre activos só do seu país. Diversifique internacionalmente.

#28 – Para compensar a volatilidade, compre algumas obrigações.

#29 – Subscreva a um PPR automaticamente, i.e. um onde a entrega sai automaticamente do salário.

#30 – Se o seu empregador disser que por cada euro que poupar para a sua reforma, ele acrescenta mais um, aproveite ao máximo.

#31 – Planeie as suas refeições para toda a semana no Domingo à noite.

#32 – Use os prospectos/publicidade dos hipermercados para fazer #31.

#33 – Nunca vá às compras sem uma lista de compras. Mais: nunca vá às compras com fome.

#34 – Ignore a publicidade.

#35 – Encontre um hobby sem um custo mensal recorrente.

#36 – Aproveite tudo que a sua comunidade oferece de borla.

#37 – Não se preocupe com o que os outros pensam de si.

#38 – Não olhe para como os outros gastam o seu dinheiro.

#39 – Invista numa boa relação.

#40 – Revisite uma vez por semana as suas metas em termos de objectivos pessoais, profissionais e para o resto da sua vida.

#41 – Não jogue na lotaria, Euromilhões, casinos ou outros jogos de azar.

#42 – Aproveite bem o seu tempo. Eduque-se. Faça voluntariado. Invista no seu bem-estar espiritual.

#43 – Pense em criar uma empresa (online, por que não?) na área que mais o/a apaixona.

#44 – Não veja demasiada televisão.

#45 – Quando estiver a ponderar comprar algo, pare durante 10 segundos e pense – preciso mesmo disto?

#46 – Para bens duráveis que custam mais do que tudo aquilo que compra no seu dia-a-dia, use #45 mas espere 30 dias para decidir.

#47 – Quando tiver uma compra a fazer, comece primeiro pelas lojas onde há descontos.

#48 – Não compre enlatados e outras comidas pré-preparadas. São convenientes mas custam mais.

#49 – Deixe de fumar, de beber álcool e de ter outros vícios. Reduza o seu consumo de açúcar – de preferência elimine-o da sua vida. Livre-se de tudo que o puxa para baixo!

#50 – Prepare as refeições para a semana ao fim de semana.

#51 – Substitua as suas lâmpadas convencionais por lâmpadas LED.

#52 – Saiba onde o preço dos bens alimentares que consome são mais baixos. Conheça bem as lojas da sua zona.

#53 – Se tem um problema com a sua casa, tente primeiro consertá-lo você mesmo.

#54 – Não descure a manutenção do seu automóvel.

#55 – Mantenha a pressão dos pneus do seu automóvel onde deviam estar. Poupará no combustível.

#56 – Se é membro de algo (clube, ginásio, ou é subscritor de revistas que raramente lê) e não o usa, elimine-o da sua vida. O seu orçamento agradece.

#57 – Não deite comida fora. As sobras podem e devem ser aproveitadas.

#58 – Se puder eliminar o seu automóvel, faça-o.

#59 – Partilhe com a sua cara metade os seus sonhos e os seus erros.

#60 – Lembre-se que, no fim, as relações e as experiências vivenciadas importam 100 vezes mais do que os bens materiais.

 

Se se lembrar de outra regra importante, deixe nos comentários. :)

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Está (quase) na hora de comprar Portugal

Na semana passada ouvimos o Nóbel, Robert Shiller, da U. de Yale, dizer que agora é o momento de comprar acções gregas. O melhor investidor de todos os tempos, Warren Buffett, também gosta de dizer que “a melhor altura para comprar é quando há sangue nas ruas” e a incerteza está no máximo. Só assim é que se compra valor ao preço mais baixo.

Esta semana, depois de muitos avanços e recuos, e muita contra-informação à mistura, lá a Grécia e o Eurogrupo (o grupo dos Ministros das Finanças dos 19 países que fazem parte do Euro) se entenderam sobre os princípios gerais de um acordo para um empréstimo de quatro meses para a Grécia resolver os seus problemas de tesouraria. No final de Junho lá assistiremos a uma nova ronda negocial quando a Grécia tentar convencer os seus pares a mudar de rumo com vista a um crescimento económico e finanças públicas mais sustentáveis.

Retórica à parte, trago-vos duas figuras que, juntas me fazem crer que, mais óbvio do que comprar acções gregas nesta fase, parece-me que a retoma da economia portuguesa pode estar quase aí. É sabido que os mercados accionistas de um país são tipicamente indicadores avançados das respectivas economias. Se assim for, a economia portuguesa poderá estar quase recuperada daqui por seis meses … i.e., em finais de Agosto, mesmo antes das próximas eleições legislativas. Agora digam lá se não era politicamente muito conveniente? :)

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A Figura retrata a evolução semanal de dois ETFs (Exchange-Traded Funds) que replicam o PSI20, no caso de Portugal, e o índice análogo no caso da Grécia. Para além do ETF grego ser muito mais volátil, é interessante denotar um primeiro rebento verde esta semana no caso do PSI20, mesmo com tantos problemas que a praça nacional tem vivido ultimamente (BES, GES, PT, …). Ainda é cedo, mas parece-me que está quase na hora de comprar o PSI20.

Finalmente, porque também achei bem interessante, deixo-vos, por cortesia da revista The Economist, uma figura que mostra que a recessão na Grécia foi tão profunda quanto foi a Grande Depressão nos Estados Unidos da América nos anos 30 do século passado e que dura há mais tempo. Começam agora os primeiros sinais de recuperação.

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Reinventar a organização

Vejam este Youtube do Nadim Habib. Descubram por que razão as pessoas inteligentes odeiam regras estúpidas, e por que razão em Portugal temos de fazer a transição para o Pós-Taylorismo. O objectivo do Gestor é criar as condições para que o talento floresça.

Segundo o apresentador, trabalhamos demais em Portugal, porque temos regras (Tayloristas) idiotas que nos obrigam a fazer um esforço suplementar para as contornar.

Normalmente, não sou adepto deste tipo de apresentações no âmbito da Gestão … mas esta surpreendeu-me e adorei. :)

Um verdadeiro abre-olhos. Não percam!

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Seminário: Os efeitos de longo prazo de uma desvalorização orçamental em Portugal

winterApresentarei amanhã este trabalho que foi realizado em conjunto com Alfredo Marvão Pereira e Rui Marvão Pereira. Será no ISCSP (Sala 3, Piso 3), dia 11 de Fevereiro de 2015 por volta das 15:30 no âmbito do Winter Workshop do GAPP (Grupo de Administração e Políticas Públicas). O Workshop começa às 14:00. Apareçam!

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Que seca …

Austeridade, em grego, quer dizer “secura de boca”.

Como todos, tenho acompanhado as viagens e as declarações do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças da Grécia, assim como as reacções dos responsáveis máximos da chamada Troika.

Hoje decidi fazer umas contas para determinar se mais austeridade é ou não inevitável na Grécia. Os resultados a que cheguei não são animadores …

Em vez de analisar o que se passa com o país – confesso que tantos zeros deixam-me com a cabeça a andar à roda – reequacionei o problema como se a Grécia fosse um indivíduo bastante endividado.

Os dados mais recentes sugerem que, em média, o Grego deve €38 123, tem um rendimento mensal bruto (i.e., antes de impostos e de contribuições) de € 1 470, e no serviço da sua dívida paga uma taxa de juro nominal média de 7,13%.

Pus-me a pensar que esforço adicional é que este indivíduo teria de fazer (vivendo com menos euros no final do mês dado que esses euros tirados seriam canalizados para amortizar a sua dívida) para que, num prazo de uma década, a sua dívida baixasse dos actuais 216% do seu rendimento anual para o valor de referência na UE, os tais 60%? Esse esforço (medido em %) seria constante ao longo dos 10 anos. Seria como que um imposto. Na prática, é indiferente (numa aproximação de primeira ordem) se os recursos financeiros adicionais vêm de mais impostos ou de menos despesa pública. Note que se levasse menos do que 10 anos a atingir os 60%, então o esforço teria de ser bem mais significativo. Levar mais do que uma década transformaria um ajustamento num esforço de uma inteira geração, o que não me parece socialmente exequível.

E a que resultados cheguei? Vejamos o seguinte quadro.

inevitabilidade

No cenário de base (no baseline), é necessário desviar mais 19,3% do orçamento familiar para ir amortizando a dívida e chegar aos 60% passados 10 anos. Note que aqui estou a assumir que o rendimento do indivíduo cresce (em termos nominais) à taxa de 4,5%, a média à qual a economia Grega cresceu nos últimos 20 anos, cobrindo anos de excessos e de correcções abruptas. Este número é compatível com uma taxa de crescimento real em torno dos 2 a 3%, o que me parece uma hipótese bastante favorável, especialmente tendo em conta a conjuntura actual que se vive na Grécia.

Antecipando os pedidos de alguma análise de sensibilidade, considerei outros cenários (cada vez menos prováveis), onde a taxa de juro é mais baixa e ou há perdão parcial da dívida.

A conclusão, contudo, é que mesmo no cenário mais favorável (ao qual atribuo uma probabilidade muito baixa de vir a ocorrer – i.e., um perdão de 50% da dívida restante, e uma redução para metade da taxa de juro), é necessário um apertar de cinto de cerca de 4%.

É caso para dizer que a parece inevitável que a seca persista na Grécia.

Aos que estão neste momento a pensar que se a Grécia sair da área do Euro e voltar a ter moeda própria conseguiria evitar estes cenários … enganam-se, pois este imposto paga-se de qualquer das formas. Vale a pena lembrar que a inflação é um imposto, com efeitos redistributivos ainda mais desfavoráveis do que um qualquer sistema fiscal de um país da OCDE.

Aos que se interrogam se a deflação melhora ou piora isto … piora e muito. A deflação aumenta o esforço de serviço da dívida porque prejudica os devedores e beneficia os credores que, por sua vez, vêem-se surpreendidos com uma rendibilidade real superior à esperada.

Termino, referindo o que eu acho que a Grécia pode pedir e com o que se tem de comprometer. Começando pelo fim, julgo que tem de se comprometer da forma mais credível possível com um esforço adicional (sendo que estes recursos adicionais podem e devem vir de uma combinação de fontes que incluem o combate à economia paralela e à fuga e evasão fiscais, o combate à corrupção e um sistema fiscal mais progressivo. Se estas iniciativas não forem suficientes, vale a pena dizer que se comprometem com mais cortes na despesa pública e novos aumentos de impostos, mas que a prioridade vai para as fontes que referi). A troco deste compromisso, a Grécia pode pedir à UE um conjunto de medidas que na prática assegurem que o seu PIB cresce em termos nominais na vizinhança de 4,5% ao ano. Este nominal GDP targeting não é novo entre economistas e há várias medidas que podem ser equacionadas.

O caminho é estreito … e com bastante secura de boca, mas é possível.

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Compraria um seguro de “vida” por 10 euros?

hepatitis

O Sofosbuvir custa 46 000 euros. Salvará a sua vida se apanhar Hepatite. E se o Estado, por razões orçamentais, não lhe pagar o medicamento? O que faz? Morre?

E não há uma alternativa? Ora vejamos. Segundo a SOS Hepatites Portugal, a Hepatite Viral mata 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo todos os anos. Ora, numa população como a Portuguesa que tem cerca de 10 milhões, isso dá 2142 mortes por ano. (O número exacto em Portugal deve ser mais pequeno, porque quero acreditar que a probabilidade de contrair uma Hepatite é menor em Portugal do que a média mundial.)

E se cada Português comprasse um seguro de vida, pagando apenas 10€ ao ano, a troco de garantir que lhe comprariam o Sofosbuvir por 46 000 euros, caso fosse necessário?

Eu por mim, compro. E você? :)

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Quo Vadis ouro?

Uma onça (32 gramas) de ouro transacciona-se hoje por 1260 USD. Completo a minha sequência de previsões (fiz uma para o EURUSD, e outra para o crude) profetizando que uma onça de ouro atingirá os 2150 USD durante o ano de 2019. Isso quer dizer que o ouro deverá valorizar-se pelo menos mais 70%, o que dá cerca de 14% ao ano até lá (em termos de taxa CAGR).

Prevejo que até chegar aos 2150 USD, dos actuais 1260 USD atingirá os 1450 USD, depois corrigirá até aos 1300 USD, seguindo a sua marcha para os 1625 USD e depois corrigindo pela última vez até aos 1450 USD antes de escalar até aos 2150 USD. Por isso, se em 2017, depois de ultrapassar os 1600 USD vir o ouro a aproximar-se de 1450 USD, compre. Não se arrependerá. :)

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Figura – Evolução mensal de uma onça de ouro desde 2001.

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